Há três anos, um mundo que se tem vindo a acostumar aos atentados terroristas mais ultrajantes, ficou chocado e abismado quando um avião do voo MH17 do Malasian Airlines com o 298 passageiros e membros da tripulação a bordo foi abatido no céu da Ucrânia.
Isto chamou à atenção pela primeira vez de muitos em todo o mundo para a guerra fomentada pela Rússia em Donbas.
Mesmo para os ucranianos, incluindo aqueles que enfrentaram a morte em Donbas, foi impossível acreditar que terroristas tinham a capacidade de atingir uma aeronave civil a 11000 metros do chão. Mesmo com todo o apoio que, como é sabido, a Rússia estava a providenciar, isto não era credível ou verosímil.
Podem as sanções económicas ou políticas, punições criminais compensar a dor de tantos que perderam os seus entes queridos? Não, receio que não podem. Mas o Governo Ucraniano fez um juramento – e nós estamos determinados a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para descobrir a verdade e trazer os responsáveis por este assassinato em massa à justiça.
E se não o fizermos, aqueles para quem a vida humana vale pouco mais do que um número ou estatística vão continuar a sua conduta homicida. O caminho da verdade pode ser ambos estreito e difícil. Está a demorar tempo e determinação para avançar. Mas uma vez posta em movimento a roda da justiça e se mover inexoravelmente – alcançaremos o nosso objetivo.
Duas investigações sobre este caso foram levadas a cabo. A primeira foi uma investigação técnica, conduzida pelo Conselho de Segurança Holandesa. A segunda foi uma investigação criminal conduzida pela Equipa Conjunta de Investigação (JIT) composta por procuradores da Ucrânia, da Holanda, da Austrália, Bélgica e Malásia. De acordo com ambas as investigações, a aeronave foi abatida por um míssil BUK. E esse míssil BUK foi lançado a partir do território controlado por terroristas apoiados pela Rússia. Além do mais, o mesmo míssil BUK foi trazido da Rússia e, depois do ataque, o seu lançador tornou à Rússia.
Mas estamos apenas a meio caminho dos nossos últimos objetivos. Nós queremos saber quem pressionou o botão, quem deu a ordem e quem foi o último elo da corrente de comando. Em suma, o mundo precisa de saber, e as famílias das 298 vítimas precisam de saber quem foi o efetivo responsável pelo homicídio dos seus entes queridos.
Os cinco países que levam a cabo a Investigação Conjunta decidiram agora processar aqueles responsáveis por abater o MH17. Isto será feito dentro do sistema judicial holandês e, assim que o processo se iniciar, contamos com o apoio de todas as nações e pessoas de boa vontade.
O grau das provas é elevado, o julgamento deve ser objetivo e o veredito reconhecido internacionalmente. Aqueles que fomentem guerras em países soberanos, apoiando e financiando terroristas, bem como incitando outros a matar devem ser expostos e responsabilizados. As regras que baseiam a ordem mundial assentam em valores chave, pelos quais a Federação Russa mostra desprezo, o que se prende a este acontecimento.